Economia do Bem

Autora:  Flavia Bendelá

 

 

Mês passado a renomada revista “The Economist” publicou um compilado de tendências, a partir de um estudo realizado por diversos especialistas, para o mundo pós-Covid. Embora não houvesse nenhuma grande surpresa na lista, chamou-me a atenção o item empreendedorismo social. E não por ser uma novidade, mas exatamente por ser uma necessidade.

O empreendedorismo social avança na medida em que sua regulamentação se sofistica. Ser um empreendedor do bem, não significa que você terá de ser um bom pedinte, mas sim um bom realizador. O romantismo de abraçar causas dependendo de doações, hoje dá lugar a negócios autossustentáveis que tragam soluções para questões de impacto social.

Porém, uma coisa não muda. O compromisso do indivíduo com produtos, negócios e mentalidade promotores do bem coletivo. Portanto, a dedicação, a renúncia e a consciência de agentes transformadores devem estar voltadas à causa e não ao bolso. E embora seja saudável que dali saia o seu sustento, para justificar o seu total envolvimento, é preciso que apresente além da preciosa habilidade de liderar e engajar pessoas, uma conduta ética exemplar.

Empresas que tem o propósito de melhorar a difusão da saúde e da educação, a diversidade, o desenvolvimento de economias locais autônomas e a geração de emprego precisam de investidores sensíveis a essas causas, ou ao menos que valorizem a ESG. Onde estão estes investidores no Brasil, especificamente?

Eles podem estar nas aceleradoras, nas redes anjo, no crowdfunding, no Venture Capital ou nas próprias organizações. Essas muitas vezes, por sua estrutura pesada, têm dificuldades de mudar de forma ágil, mas, por outro lado, podem rapidamente adquirir ou impulsionar negócios de impacto social.

Michael Porter, em palestra ao TED em 2012, já cantou esta pedra, afirmando que os problemas sociais do nosso tempo somente atingiriam a escala necessária com a adesão e o suporte da iniciativa privada, pois é lá que se encontra a maior concentração de capital para viabilizar esse investimento.

Faço votos para que não tenhamos que esperar a pandemia terminar para os gestores de grandes empresas se conscientizarem de que faz parte de sua responsabilidade fomentar a economia do bem.

 

 

Flávia Bendelá – flavia.bendela@portaldis.com.brem

Founder e Chairwoman do DIS – Distrito de Inovação e Sustentabilidade. Empreendedora, Palestrante TEDX, Conselheira de Empresas e Membro do Núcleo de Inovação do Ibmec. Doutoranda em Business pela Rennes School of Business (Fr), com projeto de tese sobre Innovation: Venture Investiment Sustainability (ainda a defender).

Executiva com mais de 20 anos de carreira e liderança no mercado financeiro em empresas nacionais e multinacionais. Coordenadora de cursos executivos e docente em Estratégia de Negócios, Inovação, Sustentabilidade e Empreendedorismo.