Olá, Mundo Novo!

Autor: Hawan Moraes

 

 

Terra à vista! Terra à vista!

Imagine a alegria do capitão e seus marujos ao bravejarem: “Terra à vista!” Após meses em alto mar, descobrindo e buscando novas terras e sem saber se chegariam ao seu destino – ou a algum destino pelo menos. Avistar a terra firme significava uma segurança, mas significava também incerteza: como seria a vegetação? Animais selvagens? Existiriam nativos? Hostis ou receptivos? Claro, existia uma grande excitação e euforia. Assim como existia também um medo e muitas dúvidas.

Semelhante a chegada em terra firme, é a alegria de ver um momento turbulento passar. Semelhante às dúvidas e medos sobre a nova terra, são as incertezas do novo momento que viveremos. Ainda não chegamos ao fim da pandemia – e talvez ainda falte um certo tempo. Porém, já é possível avistar e declarar qual a “terra à vista” do momento: mundo digital.

Para alguns, já podem se considerar nativos digitais, entretanto, para muitos e muitos empresários, esse é o Mundo Novo que precisa ser desbravado, explorado e, finalmente, conquistado. Ok, tudo mudou. Isso todos já sabemos e decoramos esse discurso. A questão é: e como vai ser então? Como será a vida na nova “terra firme”.

Varejo digital é parte fundamental

Colocado há tempos como tendência por muitos gurus, para outros uma realidade e para vários uma ameaça. É bem verdade que o varejo digital assustou e ainda gera temor em muitas empresas. Porém, daqui em diante, os navios que quiserem chegar em alguma terra firme, terão que desembarcar nesse mundo. A outra opção: permanecer em alto mar à deriva – não me parece uma boa condição.

Os clientes mudaram e quem quiser vender para o novo consumidor precisa seguir o mesmo caminho. Após passar meses dentro de casa, diversos paradigmas foram quebrados. Um dos principais: não é possível comprar itens de supermercado à distância. Existia um certo medo: será que os produtos corretos serão escolhidos? Será que minhas frutas virão no ponto que quero? E as minhas verduras, serão as mais vistosas disponíveis?

Crescimento de 180%

A verdade é que o segmento aumentou em 180% o volume de pedidos entre Março e Dezembro, segundo a AbComm. Nada como a necessidade para nos fazer repensar nossas barreiras mentais, não é mesmo? Acontece que mesmo os supermercados não enfrentando regras de fechamento, os clientes estavam assustados e optaram por testar a nova modalidade.

O Mercado Livre, maior marketplace da América Latina, decidiu entrar nessa tendência e viu seus números atingirem 3,5 Milhões de usuários só em supermercados. O Meli (Mercado Livre) realiza entregas em até 24 horas nas principais cidades do país e em 80% do Brasil as entregas são feitas em até 48 horas.

Mudança de paradigma

É fácil entendermos alguém comprar um iPhone, um notebook ou até uma geladeira online. Afinal de contas, são itens padrão e o que vai importar mais é o preço baixo. Agora, e aí está a grande mudança, quando o consumidor passa a comprar itens de necessidade básica de forma online, o que ele não pode comprar em lojas virtuais agora? Se até o arroz e feijão tão amados, as frutas e verduras, os embutidos que possuem peso e preço variáveis, podem facilmente ser selecionados em um ecommerce, o que é que não pode ser comprado online?

Hoje ainda temos uma certa resistência a comprar online itens com valores mais altos, exemplo, carros. Em contrapartida, vemos a Tesla, a montadora mais valiosa do mundo em 2020, nos Estados Unidos que foca grande parte das suas vendas no digital. Será que após comprar a carne para o churrasco do finalmente de semana, o cliente não pode escolher e até pagar online pelo seu carro novo? Antes de responder: pense em tudo que antes você imaginou que não podia ser comprado online e hoje a venda é comum.

Marketing digital é pedra angular

Para desbravar e conquistar esse novo mundo, é preciso dominar o marketing digital. Grande parte disso está relacionado com as redes sociais. Quem pensava que Instagram e TikTok eram coisas de adolescentes sem ter o que fazer, com certeza deixou muito dinheiro na mesa. Quem ainda pensa, está deixando muito mais dinheiro escapar para os concorrentes.

Ter um olhar profissional e voltado para aproveitar as oportunidades nas mídias sociais é uma parte extremamente estratégica. Não basta fazer publicações, muitos menos se forem aleatórias e desconexas. É necessário planejamento, programação, foco e, principalmente, constância. Esse último talvez seja o motivo da maioria das empresas não conseguirem resultados.

Nada é conquistado nas redes sociais sem constância. A lógica é simples: é uma rede de contatos, de relacionamento. Pense: consegue ser amigo ou confiar em alguém que só surge quando quer algo em troca? Quando quer te vender algo? É claro que não é possível criar uma conexão com alguém assim. O mesmo vale para o Instagram e outros meios: os usuários só irão consumir da sua marca após se relacionarem, se engajarem, confiarem nas suas promessas. O consumo é uma consequência, não um objetivo inicial ou até um fim em si mesmo.

Operações eficientes são as únicas sobreviventes

Assim como um navio furado não conseguiria ir muito longe, chegar em terra firme e não ter qualidade também não trará resultados. A verdade é simples e única: não há espaço para desperdícios. Cada movimento estratégico, cada investida e inclusive a rotina do dia a dia precisa ser eficiente.

Operações enxutas se destacavam antes, agora são as únicas capazes de sobreviver e prosperar. Para definir um mantra para o mundo novo: ser digital, ser enxuto. Ser DIGITAL, ser ENXUTO. Está aí a tal fórmula mágica para o sucesso nessa terra firme.