Seguros! . . . . O que acontecerá a partir de 2022?

AutorProf. Dr. Ivo Loyola, Cientista de Dados (Atuário, Contabilista, Estatístico, Matemático) * WCTA Ltda.

 

Nesta oportunidade, nós abordaremos sobre um evento que, poucas pessoas tem conhecimento sobre o que acontecerá, e o que modificará, em muito, os valores a serem pagos pelos seguros em 2022.

O agente provocador dessa quebra de paradigma é, algo que se denomina IFRS-17, ou seja, uma norma contábil e de procedimento internacional, que exigirá das seguradoras uma enorme modificação na forma como elas são geridas e como são tomadas as decisões.

As seguradoras dependem de um profissional muitíssimo qualificado, denominado “atuário”. É, técnico especialista em mensurar e quantificar os riscos com o objetivo de serem ou não segurados. Também cabe a ele precificar estes riscos, calcular as reservas técnicas e matemáticas e, opinar na regulação de sinistros.

Hoje, no Brasil, os atuários estão mais ocupados em enviar informações aos órgãos reguladores e com isso, as decisões de fato, são tomadas pelas áreas comercial e jurídica, sem quase nenhuma interveniência dos atuários.

No dia 31 de dezembro de cada ano, as seguradoras encerram seu exercício social e um novo exercício se inicia em 1º de janeiro. Excepcionalmente, neste fim de exercício (ou seja, 2021) haverá a adoção dos procedimentos de IFRS-17. Isto significa que as seguradoras devem recalcular as reservas técnicas e as matemáticas. Devem também, precificar os seus produtos pelas novas regras. Há um número muito grande de procedimentos a serem adotados que certamente alterarão os lucros das seguradoras e o preço dos produtos a serem comercializados a partir de 2022.

A maior mudança é a exigência de modelos estatísticos e matemáticos para medir o risco, a probabilidade de sinistros, o montante necessário para a constituição de reservas e os preços dos produtos. Uma seguradora preocupada com a qualidade de sua operação também modificará as diretrizes para aceitação e rejeição de riscos e, para a regulação de sinistros.

Os leitores podem imaginar que isto é uma mudança completa na forma de operar em relação ao que se pratica nos dias de hoje. Os modelos atuariais a serem adotados não são tão simples como parecem ser, e mais ainda, será necessário serem calibrados. E o atuário caberá desenvolver uma sensibilidade ao modelo, o que demandará alguns meses, para que possa analisar os resultados corretamente.

As diretorias e gerências estarão muito envolvidas em decisões que precisarão ser tomadas considerando a utilização de parâmetros técnicos que não são de interpretação trivial.

Para o comprador de seguro na ponta resta a surpresa, provavelmente um aumento nos prêmios que paga pelos seguros que costuma contratar, mesmo que não haja mudanças nos riscos cobertos pela seguradora.

Os segurados precisam começar a questionar os seus corretores de seguros e outros intermediários sobre como serão afetados pela aplicação do IFRS-17. Não podem aceitar a resposta mais simples de que nada mudará, que são apenas procedimentos internos. Não são! E mudará em muito, a relação de todos com os seguros que contratam. Cabe às seguradoras, desde já, explicar aos segurados o que os espera mais à frente.

 

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