Crises política, econômica e pandemia: o que esperar do Rio de Janeiro em 2021?

O Rio de Janeiro está há seis anos mergulhado na pior crise econômica e política da história do estado. Iniciada no fim de 2014, a crise é um combo entre recessão econômica, denúncias de corrupção na Petrobras e queda de arrecadação tributária. Em paralelo ao drama vivido pelo estado fluminense, o Brasil vive sua própria crise econômica, o que agrava o cenário local. Quando o Rio dava sinais de uma lenta recuperação, a pandemia provocada pelo novo Coronavírus veio para retroceder os mínimos avanços alcançados. A cereja desse bolo foi colocada pela Prefeitura da capital e a péssima administração do Bispo Marcelo Crivella. Preso faltando nove dias para terminar o mandato, Crivella não pagou o 13º salário de 2020 dos servidores, que segue sem previsão de quitação.

 

Para entender esse cenário e o que esperar do Rio de Janeiro nesse ano de 2021, a NeTe conversou com Quintino Gomes Freire, jornalista e fundador do jornal online Diário do Rio. O veículo foi fundado em janeiro de 2007 e, desde então, cobre todos os acontecimentos do Rio de Janeiro. Quintino, atribui a pandemia a queda do governador do estado e do prefeito da capital: “No cenário político, a pandemia custou significativamente aos governantes. A Wilson Witzel custou o cargo mediante às acusações de desvio na Saúde. Já para Crivella, custou a popularidade junto a população carioca, que contribuiu para a formação de uma atmosfera propícia para a derrota eleitoral,” explica o jornalista.

 

A vocação para eleger políticos corruptos

 

Nos últimos quatro anos, todos os últimos cinco governadores vivos e eleitos no Rio de Janeiro foram presos: Moreira Franco, Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão, e o casal Rosinha e Anthony Garotinho. Todos respondem em liberdade, exceto Cabral, o único a confessar a culpa, que segue preso. O atual governador, Wilson Witzel, foi afastado pela justiça por denúncias de desvio de verba nos hospitais de campanha construídos para atender vítimas da pandemia e desafogar os hospitais. Witzel ainda enfrenta um processo de impeachment na ALERJ. “Dentro desse cenário, pode-se dizer que o Rio de Janeiro foi especialmente afetado. A importância da cidade e do Estado contribuem para a percepção de que a corrupção é uma característica carioca. A ressonância do Estado e da cidade para o Brasil ampliam essa imagem,” analisa Quintino.

 

Vale ressaltar que o Rio de Janeiro ainda é o domicílio eleitoral de Eduardo Cunha, família Bolsonaro e Pastor Everaldo. Para Quintino, o dedo podre do cidadão fluminense para escolha dos seus governantes, não é só um problema da população que não sabe votar, mas também das legendas políticas. “Não é possível isentar os partidos políticos e os eleitores pelas escolhas de todos. Os partidos políticos deveriam agir como filtros de representação política, privilegiando indivíduos com maior capacidade de gestão e com características de seriedade e apreço pelo bem público. No Rio, em particular, a busca por salvacionistas e soluções mirabolantes acaba pesando na decisão dos eleitores,” conta.

 

O ano de 2021 ainda será cheio de desafios e a vacina será primordial para a volta do crescimento econômico tanto regional quanto nacional. são inegáveis os desafios econômicos que o Estado e o município possuem pela frente. “No município, o pagamento de 15 folhas salariais no ano de 2021 é um dos desafios da gestão Eduardo Paes – as 13 do seu próprio exercício, o salário de dezembro de 2020 e o 13º do mesmo ano-. No Estado, o desafio é a articulação junto ao Governo Federal no contínuo enfrentamento da pandemia e a logística de suporte e emergência aos 92 municípios do Estado,” pontua Quintino.

 

Quintino acredita que nem só de desafios é feito o 2021 do Rio de Janeiro. “Ao que os dados indicam, há um cenário tímido de recuperação, considerando os pontos mais críticos em meio a pandemia. o ano de 2021 será tímido em relação a grandes obras, eventos e empreendimentos. É um ano em que a palavra chave deve ser a recuperação, tanto da autoestima do cidadão fluminense, como da capacidade econômica do Estado,” ressalta o jornalista.

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